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Guia das Falácias | Flame de Elite

Guia das Falácias

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Tradução e Adaptação do Guia das Falácias de Stephen Downes

    O Guia Original, em inglês, encontra-se em http://onegoodmove.org/fallacy/welcome.htm.

    Tradução e adaptação feita por Cláudio Sampaio (patola em patola.org).

    Atenção: esta é uma tradução não-oficial e pode apresentar erros e distorções, especialmente porque contém partes adaptadas ao Brasil e à proposta deste sítio. Stephen Downes não pode ser responsabilizado por elas!

Introdução.

    O objetivo de um argumento é dar razões para o apoio a uma conclusão. Um argumento comete uma falácia quando as razões oferecidas não são suficientes para apoiar a conclusão.

    Estas páginas descrevem algumas das falácias lógicas conhecidas. Cada falácia é descrita no seguinte formato:

    • Nome: é o nome geralmente aceito da falácia.
    • Definição: Uma explicação sobre o que é a falácia.
    • Exemplos: Aplicações práticas da falácia em frases cotidianas.
    • Contra-prova: Os passos necessários para refutar a falácia ou provar que ela aparece em determinado texto.

    Para mais informações, por favor consulte as páginas de referências e recursos. Veja também a seção Como Usar Este Guia.

Lógica

Índice das Falácias

  • Falácias da Distração
    • Cada uma dessas falácias é caracterizada pelo uso ilegítimo de um operador lógico para distrair o leitor da aparente falsidade de uma certa proposição.

    • Falso Dilema: É dado um limitado número de opções (na maioria dos casos apenas duas), quando de fato há mais.
    • Apelo à Ignorância (argumentum ad ignorantiam): Algo é verdadeiro por não ter se provado falso, ou algo é falso porque não se provou verdadeiro.
    • Derrapagem (ladeira escorregadia): Para mostrar que algo é inaceitável, extraem-se supostas conseq?ências inaceitáveis dela
    • Pergunta Complexa: Dois tópicos sem relação são tratados como uma única proposição.
  • Apelo a Motivos (em vez de a razões)
    • As falácias desta seção têm em comum a prática de apelar para as emoções ou outros fatores psicológicos. Desta maneira, elas não provêem razões para a conclusão.

    • Apelo à Força (argumentum ad baculum): Se o leitor discordar do texto será castigado.
    • Apelo à Piedade (argumentum ad misercordiam): O leitor deve concordar com o argumento por pena do argumentador.
    • Apelo às consequências (argumentum ad consequentiam): Conseq?ências desagradáveis advirão da defesa de uma crença.
    • Apelo a Preconceitos: Termos carregados e emotivos são usados para ligar valores morais à crença na verdade da proposição.
    • Apelo ao povo (argumentum ad populum): A falácia do número: se muitas pessoas acreditam nisso, deve ser verdade.
  • Mudar o assunto
    • As falácias desta seção mudam o assunto ao discutir sobre o argumentador ao invés de razões para acreditar ou desacreditar na conclusão.

      Enquanto que em algumas ocasiões seja útil citar autoridades, quase nunca é apropriado discutir a pessoa ao invés do argumento.

    • Ataque pessoal:
      1. O carácter da pessoa é atacado.
      2. As circunstâncias da pessoa são notadas.
      3. A pessoa não pratica o que é pregado.
    • Apelo à Autoridade:
      1. A autoridade não é perita no campo.
      2. Peritos no campo discordam.
      3. A autoridade estava brincando, bêbada, ou se alguma outra maneira não sendo séria.
    • Autoridade Anônima: a autoridade em questão não é identificada.
    • Estilo sobre substância: Pretende-se que o modo como o argumento ou o argumentador se apresentam contribua para a verdade da conclusão.
  • Falácias Indutivas
    • O raciocínio indutivo consiste em inferir, das propriedades de uma amostra, as propriedades da população como um todo.

      Por exemplo, suponha que tenhamos um barril contendo 1000 feijões. Alguns dos feijões são pretos e outros são brancos. Suponha agora que peguemos uma amostra de 100 feijões do barril e que 50 desses feijões são brancos e 50 são pretos. Então nós poderíamos inferir indutivamente que metade dos feijões do barril (isto é, 500 deles) é preta e metade é branca.

      Todo raciocínio indutivo depende da similaridade da amostra com a população. Quanto mais similar esta for com a população como um todo, mais confiável será a inferência indutiva. Por outro lado, se a amostra for relevantemente dissimilar à população, então a inferência indutiva não será confiável.

      Nenhuma inferência indutiva é perfeita. Isto significa que qualquer inferência indutiva pode falhar. Mesmo com as premissas sendo verdadeiras, a conclusão pode ser falsa. De qualquer jeito, uma boa inferência indutiva nos dá razão para acreditar que a conclusão é provavelmente verdadeira.

    • Generalização Precipitada: A amostra é demasiado limitada e é usada apenas para apoiar uma conclusão tendenciosa.
    • Amostra não-representativa: Há diferenças relevantes entre a amostra usada na inferência indutiva e a população como um todo.
    • Falsa analogia: Faz-se para reforçar uma opinião uma analogia que não leva em conta diferenças relevantes.
    • Indução preguiçosa: A conclusão apropriada de um argumento indutivo é negada apesar dos dados.
    • Omissão de dados (Falácia da Exclusão): Dados importantes, que arruinariam um argumento indutivo, são excluídos.
  • Falácias envolvendo Silogismos Estatísticos
    • Uma generalização estatística é uma declaração que é freqüentemente - mas nem sempre - verdade. Muito freqüentemente são expressadas usando a palavra "mais" ou "maioria", como "a maioria dos conservadores tende a querer cortes no auxílio-desemprego." Algumas vezes a palavra "geralmente" é usada, como na frase "Os conservadores geralmente querem cortes no auxílio-desemprego." Ou, outras vezes, nenhuma palavra específica é usada, como em "Os conservadores querem cortes no auxílio-desemprego."

      As falácias envolvendo generalização estatística ocorrem porque a generalização não é sempre verdadeira. Portanto, quando um autor trata a generalização estatística como se fosse sempre verdadeira, o autor comete uma falácia.

    • Acidente: ? aplicada uma regra geral quando fica claro que é uma exceção
    • Inversa do acidente: Aplica-se uma exceção à regra geral quando se deveria aplicar a regra geral
  • Falácias Causais
    • É comum que argumentos concluam que uma coisa cause outra. Mas a relação entre causa e efeito é complexa; é fácil cometer um engano.

      Em geral, nós dizemos que uma causa C é a causa de um efeito E se e somente C:

      1. Geralmente, se C ocorre, então E ocorrerá, e
      2. Geralmente, se C não ocorre, então E também não ocorrerá.

      Nós dizemos "geralmente" porque sempre há exceções. Por exemplo:

      Nós dizemos que riscar o fósforo faz o fósforo acender, porque:

      1. Geralmente, quando o fósforo é riscado na caixa, ele se acende (exceto quando estiver ensopado de água), e
      2. Geralmente, se o fósforo não for riscado, ele não se acende (exceto quando ele é aceso com um lança-chamas).

      Muitos escritores também requerem que uma declaração causal seja apoiada com uma lei natural. Por exemplo, a declaração que "riscar o fósforo faz com que ele acenda" é apoiado pelo princípio de que "a fricção produz calor e o calor produz fogo".

  • Errar o alvo
    • Estas falácias têm em comum uma falha geral em provar que a conclusão é verdadeira.

    • Petição de Princípio (petitio principii): A verdade da conclusão é pressuposta pelas premissas.
    • Conclusão Irrelevante (ignoratio elenchi): Um argumento prova uma coisa diferente da pretendida.
    • Espantalho: O argumentador ataca um argumento diferente do principal, mais fraco ou tendenciosamente interpretado.
  • Falácias da Ambigüidade
    • As falácias desta seção são todas casos de uma palavra ou frase sendo usada de modo obscuro. Há dois jeito de isso ocorrer:

      1. A palavra ou frase pode ser ambígua, em cujo caso ela tem mais de um significado distinto.
      2. A palavra ou frase pode ser vaga, em cujo caso ela não tem um significado distinto.
    • Equívoco: A mesma palavra pode ser usada com dois significados diferentes.
    • Anfibologia: A construção da frase permite atribuir-lhe diferentes significados
    • ênfase: Usa-se ênfase para sugerir uma proposição diferente daquela que é expressa
  • Erros de Categoria
    • Estas falácias ocorrem porque o autor assume erroneamente que o todo não é nada mais que a soma das partes. Porém, coisas combinadas podem ter diferentes propriedades como um todo do que cada uma tem separadamente.

    • Composição: Induz-se erroneamente a propriedade do todo pelas partes.
    • Divisão: Induz-se erroneamente a propriedade das partes pelo todo.
  • Non-Sequitur
    • O termo non sequitur significa literalmente "não procede". Nesta seção nós descrevemos falácias que ocorrem comno conseq?ência de argumentos inválidos.

  • Erros Silogísticos
    • As falácias desta seção são todas casos de silogismos categóricos inválidos. Leitores não familiares com silogismos categóricos devem consultar o Guia dos Silogismos Categóricos.

  • Falácias da Explicação
    • Uma explicação é uma forma de raciocínio que tenta responder à questão "por quê?". Por exemplo, é com uma explicação que nós respondemos a questões como "por que o céu é azul?".

      Uma boa explicação será baseada em uma teoria científica ou empírica. A explicação de por que o céu é azul será dada em termos da composição do céu e teorias de reflexão.

  • Falácias da Definição
    • Para fazer nossas palavras ou conceitos serem claros, nós usamos uma definição. O objetivo de uma definição é declarar exatamente o que uma palavra significa. Uma boa definição deve permitir ao leitor compreender instâncias da palavra ou conceito sem ajuda externa.

      Por exemplo, suponha que nós quiséssemos definir a palavra "maçã". Se a definição tiver sucesso, o leitor deveria estar apto a sair pelo mundo e selecionar toda maçã que existisse, e somente maçãs. Se o leitor deixar de selecionar algumas maçãs ou incluir outros itens (como pêras), ou não puder dizer se algo é uma maçã ou não, então a definição falhou.

Bibliografia
Copyright

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